sexta-feira, 3 de maio de 2013

E ainda querem mais?

Por anos e anos o ser humano tem sofrido as agruras de viver nessa terra.
O clima nunca foi o mais agradável. Secas enormes, inundações, calor ou muito frio.
Esse tem sido o cotidiano da raça humana sobre a terra.
Quando o clima combinado com o relevo não atrapalham, o homem se incumbe de prejudicar a si mesmo: Guerras constantes, genocídio, fome provocada pelo autoritarismo, perseguição política e religiosa, ou simplesmente desprezo.
Esse desprezo acontece, por exemplo,  quando os políticos que, muito preocupados em legislar para eles mesmos e roubar o máximo possível, fecham os olhos às necessidades dos mais carentes entre a população.
Ainda assim o ser humano tem se dado bem. Seja na neve ou no deserto, ainda há crianças nascendo e crescendo. A superação tem sido enorme ao longo dos milênios. Populações se desenvolveram sob as mais severas condições em quase todos os cantos da terra.
Apesar das guerras e dos genocídios e da peste a raça humana tem se superado e obtido progresso. Decididamente, esse progresso não atingiu a alma comum, o inconsciente coletivo. Pois os mesmos erros vão sendo cometidos o tempo todo. Mas pelo menos, do ponto de vista material, das invenções, da capacidade de ir mais longe em menos tempo, e de matar, é claro, é inegável que houve um franco desenvolvimento.
Mas o mais estranho nisso tudo é o fato de ainda quererem mais. Apesar de toda essa graça recebida da terra, do sol que os ilumina, do pó que os criou e os mantém, ainda acham necessário buscar as explicações em crenças não comprovadas.
Os rituais são os mais variados possíveis. E os povos mais fortes e desenvolvidos economicamente acabam por impor os seus rituais a quem não tiver o mesmo poder. Foi assim com os maias, os astecas e todos que se atreveram a ficar no caminhos dos bondosos cristãos. Em apenas uma matança todo um povo da Nova Zelândia foi dizimado pela força “redentora” do poder cristão.
Interessante é que o poder do ritual se volta contra a própria carne do povo que o pratica. A necessidade de exercício do poder justifica verdadeiras guerras civis em que pessoas desarmadas são mortas por não aceitarem as práticas impostas. Este foi o caso das inquisições.
Provas, provas e mais provas são dadas de que o que prevalece é o caos, apesar de toda a beleza e grandiosidade do mundo. E ainda há a necessidade de personificar a divindade numa figura sobre humana, mas ainda assim, humana e carregada dos mesmos sentimentos vingativos e impositores dos que a criaram. E piora. Ainda se afirma que a divindade que é o próprio poder e a criação fez o minúsculo homem à sua imagem e semelhança.
Ora! Mal e mal o ser humano tem conseguido manter o seu planetinha, sua navezinha funcionando. Como é possível se pensar que tenha sido feito à imagem e semelhança daquele que o criou. Certamente, até para respeitar as próprias palavras, o homem teria que respeitar mais a criação de seu Deus e com o qual ele tanto se identifica.
Essa é apenas mais uma prova da necessidade da maquinação, do tipo de invenção que é necessária ao homem para se colocar no mundo. O preço pago por esse conforto dado pela engendração, pelo enredamento no contexto da religião é que se fecham os olhos a novas possibilidades e novas dúvidas.
Humilde que fosse a espécie humana e talvez fosse capaz de se contentar com a contemplação de toda essa grandiosidade e essa beleza a que se pode chamar de divindade. Para isso não seria necessário abrir mão da curiosidade e da vontade de saber sobre si mesmo. De uma maneira até científica, no sentido mais puro da palavra, seria o caso de se aceitar com tranquilidade aquilo que já se sabe, questionar e acreditar na dúvida como um caminho para chegar a verdades indiscutíveis. 
Quanto mais se deixam os sentidos abertos ao esclarecimento pelo reconhecimento da dúvida, menos coisas passam despercebidos aos que querem valorizar sua existência com o verdadeiro aprendizado.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fundamentalismo e ignorância


O fundamentalismo depende de um ciclo de ignorância para existir.
A ignorância começa na cabeça do guia que já não sabe as consequências dos seus atos.
Depende muito de achar um vazio quase absoluto na cabeça do crente, do seguidor. A vontade do crente de responder às próprias dúvidas é um prato cheio para quem vive de fingir que é Deus. Ou pelo menos, o melhor representante dele.
O fanatismo ainda tem que fechar o próprio universo à interação com outros meios para tentar se preservar.
A mente doentia já existe, antes do líder atingir o grupo e conseguir poder sobre ele. O que não existia e nunca vem a existir é a preocupação em ter cultura de verdade, em encontrar a realidade. Na cabeça doente e ambiciosa do lobo, do usurpador, o futuro já está preparado mas não depende de que ele desenvolva conhecimento, absorva informação. Não há preocupação de ter uma formação decente.
De Hitler - que até enganava bem como falso erudito - aos grandes líderes da bandeira vermelha, dos barbudos que falam árabe aos pastores ricaços. Até entre o povinho que da ditadura militar tinha general que gostava de falar que nunca havia lido um livro. Mesmo que fosse mentira, ainda mostra bem muito o valor mínimo que esses monstros dão à cultura.
Entre os fiéis é que a falta de informação, de cultura e de estudo campeia solta, mesmo. Entre os líderes é necessário aprender pelo menos um pouco para saber enganar. Mas para ser enganado, quanto mais burro, melhor.
Quando foi dito, "vinde a mim as criancinhas" o sentimento era de pureza. Nos tempos de hoje o importante é que o subjugado seja o mais tapado possível. Daí ele vai acreditar em tudo. Vai se deixar enrolar e enredar indefinidamente pelo poder e o carisma dos que o lideram.
Só pode ser excesso de alienação, de ausência de pensamento próprio o fato de que um sujeito possa pensar em dar um cartão de crédito a um imbecil que diz conduzi-lo. Também não lhe passa pela cabeça que possam haver artistas por ali fingindo fazer o mesmo para que ele os imite.
Mas apenas ter ignorância não é o bastante. Ela precisa ser reforçada e protegida. Nesse sentido, nada supera as religiões para criar um sistema de crença que desacredite qualquer coisa que não o interessa. Com a pecha de mal, de diabólico, qualquer discussão arriscada é evitada e preserva o desconhecimento do crente em relação à verdade.
Exemplo é o fato de qualquer ataque à humana estrutura da religião é imediatamente assumido como um ataque à própria divindade.
A utilidade desse ardil é evidente. Se não é possível atacar as religiões sem atacar a Deus, então os homens que a conduzem jamais poderão ser atacados. E nessa confusão entre Deus, religião e seus guias humanos e sujeitos a faltas, quem perde é o seguidor. Ele nunca tem a consciência do que está acontecendo com ele. Quem lucra com isso já é amplamente conhecido.
A ignorância é a chave para a manutenção do fundamentalismo. A falta de informação e de formação permeia todo o ciclo do surgimento e manutenção das crenças indiscutíveis, dos regimes totalitários e dos fanatismos em geral. Angariar informação, discutir processos e valores, e refletir só podem trazer lucro a quem vive de oferecer as questões e dar as respostas a quem não tem capacidade de procurá-las por si mesmo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Ao sabor dos ventos - hoje crente, amanhã nazista

         As notícias são interessantes e as mais diversas:
         Arrependida, fulana de tal chora ao se lembrar de quando se prostituía;
         Pastor diz que matou e roubou, mas que agora só trilha os caminhos do senhor...
         Jogador de futebol invoca sua religiosidade ao agradecer pela derrota do time adversário...
         Pastores brasileiros são listados entre os homens mais ricos do mundo...
         Atrás da suposta devoção à religião o que se percebe é uma grande preocupação com o próprio bem estar. O lucro vem diretamente, quando o dízimo é recolhido e aplicado nas mãos do sacerdote. Ou indiretamente, quando os comportamentos ruins são suprimidos pela auto sugestão e pelo regramento das igrejas. De qualquer maneira, o importante é se locupletar.
         Deve-se ressalvar entretanto que se trata de uma facção o que se relata aqui. Em muitos casos as experiências missionárias são positivas e deixam marcas muito boas nas populações que as recebem.
         Para ilustrar esse fato é possível ilustrar o que aconteceu em uma ilha chamada Ramree durante a segunda guerra mundial. Os japoneses dominaram a região e mataram os pastores que haviam trabalhado por lá. Depois o exército japonês teve que enfrentar a fúria dos caçadores de cabeças que acabaram por lhes matar mais de 1000 homens.
         Mas, salvo umas poucas exceções os objetivos são ligados à obtenção de benefícios próprios. Não se tem em mente uma prática inocente da fé, mas sim angariar riqueza. Na melhor das hipóteses, trata-se de um bom meio de vida. 
         No nazismo era a mesma coisa. O importante era se dar bem no partido. Os altos postos, a possibilidade de ganhar dinheiro com a espoliação dos judeus e até de católicos, os dentes de ouro retirados dos cadáveres e as obras de arte roubadas faziam parte do "dízimo" recolhido pela verdadeira religião chamada Nacional Socialismo.
         É importante transmitir uma aura de seriedade, de compromisso constantemente renovado. Nessas seitas, também há um cidadão ideal como havia no nazismo. A face do "crente" ideal é a do grande doador, aquele que participa ativamente das obras. A sua família é exemplo para tudo. Os seus bens materiais são apenas a prova cabal de que a divindade agiu em seu benefício.
         Outra similaridade interessante é o sistema de cumprimento de metas. Em um dos filmes denominados "O Julgamento de Nuremberg" com Alec Baldwin, é apresentado o depoimento de um ex-dirigente de um campo de concentração. Segundo ele, a quantidade de execuções foi aumentada constantemente ao longo de sua administração. E o chocante é como ele vai apresentando os dados e enchendo o peito de orgulho pelo bom trabalho realizado.
          Para quem não sabe, muitas dessas denominações religiosas por aí também têm sistemas de metas. Quem não cumprir determinados valores de arrecadação não faz jus a continuar usando o santo nome daquela instituição. Corre-se o risco de "perder a franquia". Com o intuito de manter seus fluxos de recursos bem altos é que muitos líderes acabam "forçando uma barra" com alguém e recebendo um carro ou uma casa em troca de uma cura espetacular, que nunca acontece. 
         Algumas diferenças são observáveis. 
         Claro que os tempos atuais não suportariam ataques tão diretos ao direito de propriedade como no estado alemão do pré segunda guerra. O próprio sistema legal não permitiria que fossem tomados à força os bens de uma pessoa.
         Mas contornar isso é fácil. Basta afirmar e reafirmar que uma determinada mentira é verdade e as pessoas acabam caindo. Daí para conseguir a doação "voluntária" de valores em dinheiro, automóveis e até residências não há muito esforço a ser feito.  
         As similaridades entre uma doutrina podre como o nazismo e a forma como algumas pessoas praticam o cristianismo mostram claramente o mal uso que se pode dar a boas palavras. E no fundo revelam mesmo é o contraste entre o melhor e pior que existem no ser humano, a sua diversidade de sentimentos e de caráter.
         Tem que existir todo tipo de gente para garantir a diversidade. Para existirem os bons, é necessário existir os maus. Para existirem os santos, é necessário haver os pecadores. Já para existirem os iluminados de verdade, é necessário existirem os hipócritas. Esses falsos crentes são os mesmos que comandariam campos de concentração se a "moda" da hora fosse o nazismo... Tudo de acordo com o que estiver pagando melhor...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Divindade do Bem ou dos homens

         A Grandeza de Deus não se reforça pelas maquinações dos homens e muito menos pelo conhecimento que a humanidade desenvolve a respeito de si mesmo ou das próprias obras. A física, a matemática e outras ciências dão um testemunho puro e muito mais MODESTO da existência de Deus do que esses homens que usam sua sabedoria em proveito próprio.
         À medida que os anos passam, mais e mais a ciência vai se desenvolvendo e provando que há algo maior. Se até Aristóteles já sabia que o que não se sabe é tanto maior à  medida que quanto mais é aprendido imagine-se hoje. Ou seja se ele já afirma a imensidão inexplicável que Woody Allen cita tantas vezes até onde se pode ir hoje. Stephen hawking e Einstein, apenas por exemplo, concatenaram muito mais a respeito de Deus em alguns sinais e letras do que textos e mais textos de pessoas de boa vontade sem certeza do que estavam falando.
        As únicas provas irrefutáveis, medidas, deduzidas e sistematizadas da Grandeza indiscutível do Universo foram obtidas pelos cientistas. A confiança que eles deveriam inspirar fica reforçada pela humildade inerente ao próprio conceito mutável, discutível e sobretudo sujeito de contestações de fazer CIÊNCIA.
        A única pequena e frágil ponte que liga a Ciência e a religião é a Divindade. Só que a primeira a sugere, a procura e a demonstra. Já os sacerdotes à impõem, usam para manipulação e para obtenção de benefícios próprio e de suas seitas.
        O mais bonito e o mais importante de tudo é afirmar essa Grandeza de Deus e buscar desenvolver o Homem através da sua busca dessa divindade. O caminho não importa muito, mesmo o dos rituais. Quando a vontade é muita e o objetivo é certo, os meios não são o mais importante, como diria o injustiçado Machiavel.
        Os sacerdotes, entretanto, parecem desesperados em negar essa grandeza. Apegam-se às mesmas palavras de centenas de anos atrás. Em várias correntes, inclusive algumas que não podem nem ser citadas sem risco de vida, as letras de tempos há muito passado ainda escravizam os homens. Seus olhos são tampados indefinidamente por uma névoa de negação. E a morte corre solta em suas mãos em nome do Divino.
        Essas palavras são as mesmas que serviram de base para as fogueiras de católicos do mundo inteiro. Também os protestantes americanos, pelo menos, não ficaram para trás, queimando suas bruxinhas em Salen. Esquece-se que a meta principal deveria ser o homem.
         É importante mostrar a importância de suprimir, de diminuir e esquecer o ser humano. Esse, destituído de seu orgulho, de sua consciência de si mesmo, fica passível de constante manipulação, passando a almejar algo além da insignificante vida que lhe foi dada. Buscar uma segunda vida, por exemplo, é somente um expediente para poder desprezar o ser humano e a ele se sobrepujar. É dizer, por caminhos tortos que o que aqui se vive agora, é mesquinho e insignificante e que, portanto, pode ser pior ainda. Sempre é claro, em benefício dos sacerdotes.
        Mas os requintes de demagogia vão mais longe. Afirma-se que o homem é a imagem e a semelhança de Deus. Para logo em seguida dizer que todos pecaram e destituídos estão da glória. É como se afirmar a um adolescente de 12 anos que ele é muito homem e deve ser responsável. Mas logo em seguinte se o proibisse de brincar na rua.
         Confundem-se as cabeças para reinar sobre elas. Machiavel de novo: "Dividir para conquistar". Também Saramago percebeu alguma coisa, e escreveu isso:

              "Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e                 passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros". Em Caderno de Saramago.
        E ai de quem questionar alguma coisa! Pois que há de receber a punição por investir contra o sagrado. 
        Negar ou aceitar que a ciência tem seus méritos pode custar e custa muito caro aos "cleros". Tira sua autoridade e a transfere a quem quer que detenha o conhecimento. O reflexo recai diretamente na capacidade financeira da entidade, ou seja, no caixa. Nesse caso é importante ficar reforçando indefinidamente o sagrado, a fé pela fé, sem questionamentos.
         A controvérsia surge nas próprias palavras que são defendidas. A questão de procurar Deus nas coisas e não nos homens, por exemplo, é controversa. Deus está em todo lugar. O próprio cristianismo reafirma essa expressão em várias fontes. O interessante é afirmar isso e logo em seguida dizer que a única verdade está na "palavra". A resposta para o dilema é fácil. De acordo com a situação, vale uma verdade ou outra. Tudo pode ser explicado pois a capacidade de argumentar é interminável e
          Não basta procurar nas letras antigas as respostas para tudo. Na hora de se consultar com um médico por exemplo, não se quer a ciência antiga, das amputações e das sangrias. O que se quer é o mais moderno, o mais pensado e o mais pesquisado.
           Assim também deve ser a fé: Rica de Deus e pobre de palpites humanos, de interpretações pobres e principalmente de sentimentos ruins. O ser humano instruído pode buscar Deus onde ele realmente está, no bem, nas boas ações, na educação do Caráter. E não na obrigação de se rastejar mentalmente por uma seita e financiar os luxos de uns poucos sacerdotes.
           Para pensar: Caim fala a Deus em Saramago: "bastaria que por um momento fosses realmente misericordioso, que aceitasses a minha oferenda com humildade" (para que abel não morresse)... 
       


       

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A Simplificação

         O ato de simplificar implica, em geral, resumir uma ideia, um conjunto delas, uma opinião ou mesmo uma filosofia inteira ou religião a uns poucos conceitos que venham a caber no imaginário de uma pessoa. O risco envolvido é o de que ao invés de melhorar o mundo, a simplificação se torne uma situação degradadora e destrutiva para a humanidade. 
         A massa de informações disponíveis com a internet, TV a cabo e outras tecnologias não garantiu o aumento da capacidade de interpretação e posicionamento da grande massa da população. Mesmo quem se atreve a querer fazer uma análise mais completa de uma situação qualquer não tem tempo ou não vê custo-benefício em ficar investindo muito na absorção de informações sobre um determinado assunto.
         Assim, acaba-se por se buscar um resumo, uma notícia, um prato mastigado com o máximo de resultados e a menor perda de tempo possível.
         O progresso científico conforme registrou John Gray em “Cachorros de Palha” não garantiu ao ser humano qualquer certeza de que seu caráter geral ou que a própria condição de ser humano tenha melhorado ao longo dos séculos de produção de conhecimento científico.
         É fácil perceber que o progresso é um mito. Todos os dias surgem novas provas de que as limitações de caráter e de inteligência continuam as mesmas de sempre. As ações e mesmo o surgimento de novas correntes, novos pensamentos ligados às destorcidas ideias dos movimentos de politicamente correto são provas cabais de que até quando procura melhorar as coisas o ser humano acaba caindo novamente nos mesmos erros do radicalismo, do exagero e da inversão de valores.
         Essa incompetência toda em se desenvolver verdadeiramente faz com que as soluções mais fáceis sejam procuradas para o posicionamento em relação ao mundo e às situações pelas quais um ser humano passa ao longo da vida. Coisas banais como ir a um cinema e ver um filme já são um bom exemplo. Coisas não tão banal mas cuja percepção chega até a ser deturpada é o ato de votar, de escolher um candidato e se posicionar nas eleições. As religiões também se encaixam no mesmo caso. Um simples itinerário, um caminho a ser seguido para ir a algum lugar é diminuído de modo a ser melhor memorizado.
         Um filme que se assistiu por exemplo, pode ser classificado de bom ou ruim. Raramente alguém se preocupa em detalhar os motivos pelos quais gostou ou não. Não se consegue separar o gosto pessoal do trabalho técnico de atores, diretores e tantos outros profissionais. O resumo de todo o esforço dessas equipes é sintetizado em poucas palavras devido à desatenção, despreocupação ou incapacidade do espectador em pormenorizar ou fundamentar a sua opinião a respeito da obra.
         O mesmo acontece para livros, peças, quadros e quase todo tipo de arte. A maioria das pessoas é incapaz de angariar, nesses casos, sentimentos diferentes dos extremos da perplexidade ou da indiferença. A grande maioria dos trabalhos realmente importantes nem sequer é conhecida pela maior parte da população.
         Num plano mais simples, mas capaz de exemplificar como funciona a simplificação, vem a facilidade em se resumir um percurso a ser seguido para ir a algum lugar. Recapitulando cada passo do caminho, são perdidas várias etapas. Curvas são esquecidas, pontos de referência, trevos pelos quais se passou diversas vezes, placas de cidades e até mesmo cidades. É a maneira que mentes limitadas, no melhor sentido que se possa dar a essa palavra, encontram para reorganizar, como possível, um conjunto qualquer de informações.
         Outro exemplo de simplificação é o caso das eleições. Anos e anos, eleições e mais eleições vão se passando e os mesmos chavões vão sendo vistos no comportamento dos eleitores e dos candidatos. A poluição visual e auditiva, as promessas eufemicamente chamadas de plataformas, e os conchavos estão todos aí e nada muda, pelo menos visivelmente, no senso crítico das pessoas, apesar de toda a postura de “progresso” que se vende.
        O mesmo acontece com as religiões. Uma receita ideal para ganhar dinheiro é vender a simplificação para essa massa imensa de pessoas que não querem complicar demais sua existência com grandes elaborações científicas sobre o universo e suas leis. Para que o esforço de passar horas e horas tentando se imiscuir no aprendizado de física, biologia ou outras ciências “mundanas”? Basta ir a um templo e ver o que o sacerdote tem a dizer, depositar a confiança no que é dito e não se faz necessário qualquer esforço maior.
         A simples comparação dos textos religiosos para perceber que todo o complexo desenvolvimento do planeta terra, apesar de sua insignificância em relação ao resto do universo, é resumida em pequenas etapas vencidas com extrema facilidade pelo criador. Tudo rápida e definitivamente explicado pelo poder supremo que emana de um ser personificado à força, para facilitar a sua compreensão.
         Cabe ainda registrar que, mesmo nos círculos religiosos, pouco a pouco se vão perdendo os compromissos em transmitir os conhecimentos básicos de criação do universo, justamente pela simplificação geral do saber. Exigir grandes esforços no sentido de aprender volumes e mais volumes de teoria ou teologia não garantem mais “clientes”. Agora o importante é impactar o gosto cada vez mais duvidoso dos fiéis com grandes espetáculos e grandes eventos e em músicas de fácil absorção. Tudo por que a simplicidade dominou e vem a dominar gradualmente mais a consciência de grande parte das pessoas.
         É claro que não se pode absorver toda a informação disponível no mundo. Seja um simples caminho a ser seguido, uma obra artística qualquer, o perfil de um candidato ou uma religião, o que vai prevalecer é a tendência de resumir as informações a respeito. Cabe a cada um que se vigie e colabore com o próximo para que o nível de simplificação não chegue ao ponto de que aconteça um retorno às cavernas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Oração e reflexão

        Que o hábito de rezar ou orar, ou falar com Deus é bom, nenhum religioso discute. Interessante é constatar que até mesmo pessoas que não suportam um sacerdote ou uma religião institucionalizada costumam ter a opinião semelhante. Trata-se daquele momento de paz em que se conversa com o Criador ou com um bom procurador dele, a exemplo de um Santo ou mesmo Jesus, Buda ou o que for.
          De um ponto de vista agnóstico ou puramente ateu, a oração pode ser entendida como uma forma de auto-programação, de tentar incutir no próprio ser uma mensagem de força e de coragem. Pode ser uma forma de se preparar para uma situação específica ou para “ser” no mundo.  Há outras “versões” como a da autohipnose ou programação neurolinguistica para explicar, aproximadamente, o mesmo mecanismo .
        Por falar em Buda é bom diferenciar a oração da meditação. No livro Comer, Rezar e Amar está escrito que orar é falar com Deus e que meditar é ouvi-lo. Em qualquer dos casos a interação está sendo feita, desde que o ato não seja automático.
          Mas o que é um ato automático? Em geral, são aquelas repetições sonolentas, cujas palavras não são pensadas e para as quais não se está fazendo um momento de reflexão.
         Todavia, há repetições que bem interpretadas podem render bons momentos de tranquilidade e paz e ainda propiciar melhores sensações e comportamentos posteriores. 
        Um bom exemplo é no Pai Nosso, que podemos interpretar mais ou menos assim:
        1 – “Pai Nosso que estais no Céu.” – A Tua Presença e Tua Importância é reconhecida como influência de algum lugar mais alto ou de regras ainda desconhecidas para homem. Ou, reconhece-se a existência de algo maior que está acima e com o qual é necessário se harmonizar ou acreditar que se está harmonizando para ter uma presença melhor no mundo;
        2 – “Santificado seja o Vosso Nome”. – Santos são pessoas que praticam aquilo que conhecem como a Lei de Deus e que se destacaram pelos seus feitos. Se o nome de Deus é santificado, dá-se à palavra Deus mais significado, trazendo para o meio em que se habita. Nietzsche disse que somente a arte pode dar sentido à vida. Arte é realização. E realização é o que os santos mais fizeram. Santificar-se ou santificar alguma coisa pode ser interpretado como visualizar aquilo de uma maneira especial, buscando fazer o melhor para a própria vida e para a dos outros.
        3 – “Venha a Nós o Vosso Reino”. – Que se possa acreditar que o fazemos participar dessa grandeza que é a Vida com a Presença de algo de especial que rege tudo.
        4 – “Seja Feita a Vossa Vontade”. – Faça-se o que a Natureza, a Vida que foi presenteada ao ser humano, como criação sua, é importante se render a que determinadas coisas estão fora do nosso alcance e só podem ser explicadas por leis maiores. E isso serve tanto para coisas boas como para as ruins. Simplesmente por estar vivo e compromissado com a existência é que ao que é ruim não cabe se render. O que resta ao ser humano é lutar o mais fortemente possível para diminuir seus efeitos e até transformá-las em oportunidades;
        5 – “Assim na Terra como no Céu”. – A vontade de Deus está em todo lugar. Por mais que o homem se eleve, não adianta pensar que um dia vai poder superar a Deus, à Natureza e até mesmo ao Caos, para os mais céticos. Trata-se do reconhecimento de que as leis que o homem não domina estão por todos os lados. O que hoje se chama de caos, de sagrado, de milagre amanhã pode vir a ser explicado e conhecido por todos. 
        6 – “O Pão Nosso de cada dia nos dai hoje”. – Sustentação: Não adianta ter ideais elevados sem os pés no chão. Deus não daria ao home carne e osso para que tentasse viver só de espírito. Claro que é uma tarefa interessante tentar ser carne e osso, matéria e tentar ver que existe alguma coisa além disso. Aliás, não vê quem não quer;
        7 – “Perdoai os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido”.  O perdão que a ser conseguido só será obtido à medida em que se puder perdoar os outros. Como disse Cervantes no Dom Quixote: “Se tiveres que dobrar vara da justiça, que seja para a Misericórdia”. De certa forma é o reconhecimento de que se deve oferecer aquilo que se quer receber;
        8 – “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. – É ali, todos os dias, não é só de um assalto que se deve ter medo, não. Deve-se ter medo da preguiça, da falta de foco, das distrações, dos amigos inúteis e tantas outras coisinhas pequenas que podem fazer com que nossos objetivos não sejam atingidos. Veja bem que amigos inúteis, por exemplo, não são, necessariamente, pessoas ruins. Apenas não acrescentam nada e podem e devem ser preservados apenas para momentos de diversão;
        9 – “Amém!”. Que assim seja. Repete-se o pedido todo e confirma-se a vontade de agir corretamente. Confirmo também a absorção da mensagem e a força do momento de reflexão.
Várias podem ser as interpretações de uma oração, ou de qualquer texto. Mesmo que feitas pela mesma pessoa, elas vão variar de acordo com o momento em que se está vivendo. Também pode pesar a carga de sentimentos e condicionamentos do local onde nasceu e do ambiente, como aliás ocorre em quase tudo em que paramos prá pensar, na vida.
             O importante é voltar a essas orações, ou criar as nossas próprias sabendo o que se está pedindo e refletindo no que está sendo dito.

http://leoacristica.wordpress.com/2011/05/19/os-chakras-e-o-pai-nosso/

terça-feira, 27 de março de 2012

Introdução - Religião, não. Graças a Deus!! Parte I

            Introdução

            Não tire nenhuma crença de alguém se você não tem como a substituir. Nem uma crença, nem o vício nem algo que seja as duas coisas. Gilberto Freyre em Casa Grande e Senzala fala da questão moral da educação dada aos índios pelos Jesuítas que lhes tiraram sua inocência e seus valores simples do seu dia a dia nas matas e não conseguiram lhes prover de uma estrutura material e institucional que lhes garantisse um futuro consistente.
             Ao escrever algo sobre religiões é importante resguardar o próprio direito a ter opinião contrária, mesmo que seja à maioria. Mas também não é o objetivo arcar com o mal humor e a má aceitação das pessoas sobre aquilo que se está escrevendo. Nesse sentido é que essas palavras que aqui são colocadas tem  o objetivo apenas de suscitar a dúvida, de propor questionamento. E há que se dizer que quem as escreve não gosta de discussões, brigas feitas por trocas de palavras ou seja como for.  Além do mais, é a linha de pensamento de grande parte do mundo, senão a maioria que um dos objetivos da religião é buscar a paz. Este livro deve ser apenas mais uma prova de que mesmo sem religião a paz é buscada.
            A ideia em geral é a de que, por exemplo, que eu não deveria tentar fazer uma pessoa acreditar que religião é uma farsa, se não tenho algo tão forte para colocar em suas vidas e que lhes faça capazes de se contentarem com a existência que têm. Feynman em uma de suas entrevistas, facilmente obtenível hoje, na internet, diz simplesmente que se deve conviver com a dúvida.
            Ora, simplesmente a dúvida, partindo de alguém que tinha tamanho domínio de várias áreas da ciência, já é uma concessão muito grande à possibilidade de que haja algo especial e verdadeiro. Mesmo que seja a fé por ela mesma, a crença na própria crença como vamos tratar nesse livro.
           Qualquer idéia, religião, conceito ou instituição e, principalmente as crenças que não suportem dúvidas, não dão testemunho de auto-confiança. Venham os espíritas, venham os ateus e venham os agnósticos nos brindar, nos presentear com suas novidades e seus questionamentos, que os crentes (no melhor sentido da palavra), cristãos ou não, se sentirão lisongeados em pode apor suas boas crenças e o amor verdadeiro que sentem às trevas mentais dos que só acreditam no sagrado, no indiscutível.
            Este texto não tem caráter científico como facilmente poderão reconhecer alguns iniciados. O empirismo nos concede maior liberdade para elaborar ideias, ao contrário das camisas de força do ceticismo e do positivismo restrito. Isso não impede, todavia, que este texto seja permeado de informações julgadas importantes, seus respectivos conceitos e algumas bases científicas para o que está sendo escrito. É o que foi dito sobre as limitações criativas: melhor usar o melhor que se tem à mão, seja a criação pura e o desenvolvimento de ideias próprias, seja a citação de autores e conceitos externos e que não sejam exclusividade de uso de alguém ou de uma instituição.